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Ana Franil
No ar desde: 29 de outubro de 2007
Poesia recheada de obscuridade relata a dor de viver o século XXI
Poeta adota o pseudônimo ‘Ana Franil’ para retratar as dificuldades de ser jovem no mundo moderno

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"Quando você diz que acontecerá agora, bem, quando exatamente você quer dizer? / Veja, eu já esperei demais, e toda minha esperança se foi..." Morissey e sua turma retrataram com a banda The Smiths, nos anos 80, a dor de ser jovem em meio a um mundo extremamente propício à falta de perspectivas, como é possível constatar acima, em trecho da canção "How Soon Is Now?". Depois da década de 90, salvo exceções, dedicada ao hedonismo, questionamentos existenciais voltaram a todo o vapor nessa primeira década do século XXI. Engana-se, no entanto, quem pensa que a melancolia se restringe à música, como em sucessos mundiais de Coldplay e Radiohead, em bandas neogóticas como Evanescence e Nightwish, ou até mesmo na onda emo, cujos símbolos são grupos como Panic At The Disco! E My Chemical Romance. Na literatura, a obscuridade e busca da identidade dos dias atuais aparece cada vez mais em obras, sobretudo alternativas.

E a poesia não fica de fora, como é possível constatar em uma pequena análise da obra do Ana Franil, de Luís Gustavo Seleghin dos Santos, poeta da cidade de Marília, Interior de São Paulo, com ilustrações de Victor Guctor de la Vie. O primeiro livro do projeto, 'Declaração Universal do Direito dos Suicidas', recheado de poesias e ilustrações retratando esse universo, está pronto. A quem já se assustou com o nome da obra, Luis Gustavo tranqüiliza: o conceito suicídio, nesse caso, contempla somente o âmbito das idéias. "Divido minha obra em romantismo simbolista, poesia signalista e agressiva (com uso de símbolos), neo-simbolismo e surrealismo. Todas representam uma sociedade em que ser você mesmo é perigoso", explica o poeta, que participou com sucesso de diversos concursos de poesia.

Difícil, no entanto, é definir um rótulo para os versos do autor. Da crise existencialista à crítica social, a obra, em seu todo, é como uma espécie de 'caldeirão psicológico', em que foram despejados ingredientes diversos. Entre eles, a infância e, sobretudo, a adolescência complexa de Luís Gustavo, diretamente influenciada pela esquizofrenia, que o acompanha desde cedo. "Sou um poeta esquizofrênico, assim como Manuel Bandeira era tísico e Oscar Wilde era gay, em pleno século XIX", define.

Em 'Declaração Universal do Direito dos Suicidas', o autor pretende abordar, por meio das poesias e das ilustrações, ligadas ao estilo cartoon, a tristeza do amor e do amadurecimento, temas psiquiátricos, tribos urbanas e libertinagem, terminando como um libelo à sociedade e seu grande vazio interior. "O livro é um crescimento na loucura e um grito libertário ao convencional", conta Luís Gustavo.

No baú de inspirações para a obra, encontram-se autores como Edgard Allan Poe, Apollinaire, Manuel Bandeira, Emily Dickinson, Rimbaud, Oscar Wilde, Pablo Neruda, E.E. Cummings, Baudellaire, Archibald Mcleish e Bertold Brecht. Na música, Radiohead e, é claro, The Smiths. Em tempo: para quem não sabe, Ana Franil é uma substância utilizada para o tratamento da depressão.

Livro: Declaração Universal do Direito dos Suicidas
Autor: Ana Franil
Páginas: 94
Editora Corifeu
Preço: R$ 25,00
Vendas: www.corifeu.com.br

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